Para que a informação chegue até você, nós jornalistas (cinegrafistas, repórteres, foto jornalistas) nos reunimos, selecionamos prioridades, definimos pautas, vamos para a rua, fazemos apuração, corremos atrás de todos “os lados” da história, ouvimos todas as versões, voltamos para redação, redigimos a matéria, selecionamos as melhores imagens, as melhores fotos e finalmente publicamos. Divulgamos para o mundo, nosso trabalho.
Talvez você até hoje não tenha pensado no quanto é importante a profissão jornalista. Professores, médicos, polícias recebem salários inferiores a sua importância. A extensão da educação que devemos ter em casa continua pelo professor. A quem confiamos nossa saúde, nossa vida, quando estamos mais frágeis, os médicos e a nossa segurança, a tentativa de ter a segurança de sair e voltar vivo para os nossos lares, policial. Toda profissão tem seu valor, sua importância pra sociedade. Sem ignorar que em todos os seguimentos, existem bons e maus profissionais.
Ao citar o exemplo das três profissões acima, não desmereço nenhuma outra. Cito as que mais são questionadas por sucesso em cirurgias ou erro médico, os profissionais da educação que ganham um salário lamentável, como tantos polícias heróis que acreditem: existem no meio de alguns que passaram para o outro lado. Se avaliarmos que hoje, mais do que nunca o mundo gira e acompanhamos girando juntos para levar a informação de qualquer lugar do “mundo para todo mundo”, veremos o quanto o JORNALISTA tem seu valor.
Escuta rádio? Assiste televisão? Lê jornal, revista? Passa por uma banca e é impossível não dar uma “olhadinha” em alguma manchete, mesmo não parando de andar? Procura notícias na internet? Adiciona em seus vídeos favoritos algumas gafes de jornalistas na TV ou morre de rir com isso? Procura ver a situação do seu time pela internet? Tenta garantir um final de semana provavelmente seguro para uma boa praia acessando algum site metrológico? Tenta ver em sites de busca ofertas, capítulos de novela que você não viu; informações sobre a raça de um cachorro que você quer adquirir? Gosta de ver os gols da rodada nos programas de esportes? Por trás de tudo isso, sempre há um profissional de jornalismo que leva, organiza a informação que você procura. Bastidores da política, os escândalos, as conquistas, o destino do nosso dinheiro que já parou até dentro de uma cueca... O jornalismo conta pra você.
Como em todas as profissões, temos bons e maus jornalistas. Os que trabalham com puro sensacionalismo, são apelativos, divulgam sem certeza, sem uma apuração, sem fonte segura e aqueles que trabalham com ética, que tem amor ao trabalho que desafia o perigo em busca da realidade da nossa sociedade mesmo que seja dolorida de se ver. Todas as pessoas que colaboram pra esse jornalismo limpo merecem respeito, valor e reconhecimento. Gelson Domingos, 46, foi vitima da realidade do nosso país. Foi alvejado por uma bala de fuzil que atravessou o colete, atingindo-o fatalmente. Fazendo a cobertura jornalística da invasão do BOPE na favela de Antares, Santa Cruz ele registrou um dos vários momentos de tensão que outras comunidades vivem. Morreu fazendo o rescaldo (um jargão jornalístico: saber quem foi preso, se alguém foi ferido ou morto ou se alguma coisa foi apreendida). Palavra dura, forte, mas real, morreu. Morreu trabalhando, cumprindo a função de um cinegrafista: registrando a realidade que pode não acontecer na nossa rua, bairro, mas que certamente bem ao nosso lado, acontece. Um profissional tão bom que tinha no currículo passagens por respeitáveis emissoras de TV. Tão destemido, tão bom, que seu último registro como cinegrafista foi a sua própria morte.

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